top of page

UNIVERSO



A WEE nasceu como sinônimo de minimalismo, aquilo que nos é essencial e único. Ao longo do amadurecimento da marca, simbologias atreladas ao mundo da joalheria foram sendo absorvidas junto à tudo que nos é assimilado cotidianamente em diferentes campos culturais, ambientais, sociais e tecnológicos, acumulando assim representatividade.


O essencial que então se transforma em essência. Essência que sempre esteve e está exatamente na potencia única que carregamos como indivíduos, com o objetivo de expressar aquilo que não é comum à todos, tão pouco nos define e limita, mas sim potencializa identidades únicas, e o mais importante, sem redefini-las.


O espaço de acolhimento da loja, no qual materiais refletivos e metálicos encontram materialidades sólidas e sutis, inverte certas lógicas rígidas do que se espera de uma joalheria. Aqui, o carpete que reveste o piso e aquece o ambiente se transforma também em luminária, destacando o balcão expositivo, que apesar de espelhado é uma grande massa sólida e robusta. A escolha dos mostruários, que destacam as joias expostas, também segue a lógica da contraposição, assim como a prata e o ouro, que são metais rígidos e de toque frio, encontram a sutileza e o toque quente da nossa pele, o suede e inox são utilizados de maneira conjunta, representando dois universos opostos e também complementares. Essa mesma lógica se repete no encontro entre o carpete e o metal que reveste as paredes em meia altura e é arrematado por um perfil metalizado, reproduzindo uma ferramenta de decoração clássica, os rodameios, em uma composição simbólica e atual.


Em contraponto a todo esse olhar contemporâneo e assumindo a força que a tradição e a história representam na joalheria, todos os demais móveis (com exceção do balcão expositivo) são garimpos das décadas de 60 a 80 ou móveis das famílias dos fundadores que já não teriam mais uso. Como na sala de atendimento reservado para desenvolvimento de projetos sob demanda, que mistura mesa e aparador da família com espelho de piso de Roger Legal dos anos 1970, cadeiras em alumínio dos anos 1980 re estofadas com tecido metalizado e arandelas da Lustres Pelotas dos anos 1960.


A sensação que trazemos através da marcação rígida de geometrias, dos encontros e oposições entre materiais e revestimentos, além de apresentar escolhas únicas dentro do universo da WEE e reforçar a importância de assumirmos nossas próprias identidades, sugere também o ato de imergir em uma grande caixa de joias, de onde surgiu o nome do nosso espaço WEE BOX.





Vinícius

Nesse post estreiamos um novo formato aqui no WEETHINGS e ninguém melhor do que nosso talentoso amigo Jeferson Branco para iniciar essa série de convidados e experiências inéditas. Recentemete, Jeferson visitou a casa da potente artista plástica brasileira Tomie Othake a convite de seu neto, Rodrigo Othake, e compartilhou com a gente a história e os sentimentos dessa visita, junto com fotos de sua autoria.


A residência localizada no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo, é um marco arquitetônico que Jeferson descreve a seguir:




“Simples, mas jamais simplista: Casa da Tomie Ohtake, uma Obra de Ruy Ohtake”



No efervescente universo da arquitetura brasileira em um recorte de espaço e tempo paulista na década de 1980, a casa de Tomie Ohtake, projetada por seu filho Ruy Ohtake, surge como uma obra que rompe paradigmas. Imersa em uma fusão poética entre arte e arquitetura, essa residência não foi apenas um lar, mas uma ode à estética moderna e uma reverência ao legado de Tomie, uma das artistas plásticas mais ovacionadas do Brasil.


Concluída ao final da década, a casa localizada em São Paulo reflete a sinergia única entre mãe e filho. Ruy, influenciado pela vivacidade artística de Tomie, onde a máxima invertida também é verdadeira, desafiou os conceitos tradicionais de espaço doméstico, criando não apenas uma residência, mas quase que um santuário de geometrias, luz e texturas.


Diferenciando-se em sua forma externa, a casa rejeita o prisma ortogonal convencional, priorizando, ao invés disso, curvas que evocam movimento e fluidez, características reverenciadas nas obras de Tomie. Essa escolha estilística não foi apenas um tributo à matriarca, mas também uma afirmação do movimento artístico e arquitetônico que ambos, mãe e filho, representam.


Internamente, a casa de Tomie é um diálogo constante entre o concreto e o ambiente externo natural, onde janelas amplas permitem que a luz revele os detalhes meticulosos do interior. Cada quarto foi concebido como uma moldura viva, com espaços que, apesar de sua modernidade e minimalismo, são aquecidos pela presença constante de obras de arte, na sua maioria criadas pela própria Tomie, bem como obras presenteadas por outros amigos artistas.


No entanto, o que realmente solidifica a importância desta casa no contexto cultural brasileiro é como ela serve como um relicário do processo criativo compartilhado entre Tomie e Ruy Ohtake. A residência é mais do que arquitetura; é uma narrativa que conta a história de uma família imersa na busca constante pela expressão e inovação artística, visto as duas ampliações que a casa passou sempre em busca de espaços adequados para as criações de Tomie.


A casa de Tomie Ohtake permanece até hoje como um monumento à inventividade e ousadia, características que definiram a carreira de Tomie e Ruy, e a influência de sua arte no panorama cultural. Mais do que isso, estabelece-se como um testamento duradouro da admiração do filho e sua dedicação em imortalizar o ethos de sua mãe em cada espaço, curva e sombra de sua magnífica criação.




Jeferson Branco


 

Sobre o autor: Jeferson Branco é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UNIVALI e pela Califórnia Baptist University. Desde 2017 vem acumulando importantes prêmios em concursos e mostras nacionais e desde 2020 atua como diretor criativo em seu escritório homônimo, no qual desenvolve projetos de arquitetura, nas mais diversas escalas, em todo o Brasil e na Flórida, nos Estados Unidos. Além de constantes convites para ministras palestras, Jeferson também cria e desenvolve projetos de mobiliários com parcerias exclusivas. Sua relação com a WEE começou em um evento que realizamos no Cartel011 em 2022 onde compartilhamos um pouco de nossas histórias e instantaneamente conectamos os universos criativos de cada um.



claude cahun

Claude Cahun, artista com multiplicidade conjuntural a frente de seu tempo. Desenvolvendo trabalhos esculturais e escritos foi com fotografia que Claude explorou a fundo múltiplas formas de se reconhecer, expressar e questionar dualidades e reconhecimento de gêneros.


" Sob esta máscara, outra máscara. Eu nunca acabarei de mostrar todas estas faces " - Com auto retratos que exploravam diferentes representações de si, havia negações de feminilidade e ao mesmo tempo provocações estéticas de ser mulher à época do Movimento Surrealista. Movimento que pouco explorou e projetou Claude se compararmos à demais artistas de seu tempo.


Autenticidade que ia além de obras e trabalhos, Claude Cahun, na realidade, se chamava Lucy Renee Mathilde Schwob por batismo, mas, adotou Claude como identidade que não definia gênero. Junto de Marcel Moore (Suzanne Malherbe, por batismo) e dupla amorosa e profissional, trabalhou temas de inconsciência, fantasia e distorções de objetos comuns, tendo como identidade obras colaborativas e com frequente mistura de dois corpos como unidade criativa.


Mudou-se de França para Inglaterra e por fim viveu em Jersey (Canal da Mancha) fugindo de perseguições nazistas à judeus e homossexuais, ainda assim, junto de Marcel, combateu e expôs atrocidades nazistas através de textos compartilhados com demais artistas e panfletos distribuídos por Claude e Marcel à população.


Com reconhecimento mais profundo a partir de 1990, teve obras expostas em São Paulo (34º Bienal / 2021). Mas, ainda com pouca abrangência, Claude tem força contemporânea, e até mesmo a frente de nosso tempo, em obras potentes e capazes de provocar infinidade de debates relevantes sobre óticas de sociedades, sentimentos e (re)conhecimento humano.


Multiplicidade, transformação, constância e originalidade são palavras chave que definem Claude Cahun para nós, inspiração que surgiu em Melting Stones (acervo limitado) e que se faz presente em Claude - acervo permanente, múltiplo e em constante mutação.



Vinícius





bottom of page